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domingo, 7 de agosto de 2011

QUINTINO CUNHA E SUA ESTADA EM QUIXERAMOBIM

quintino
Anedotas de Quintino Cunha em Quixeramobim



Praticamente ninguém em toda a nossa historia encarou tão bem o jeito “moleque de ser” dos cearenses como o fez o poeta, advogado e repentista Quintino Cunha. A sensação que me atravessa como leitor de seus casos e anedotas é a de quem freqüenta um pensamento tornado pelo riso – pelo riso da alegria, da surpresa, do encontro, do improviso, bem entendido, não do riso malvado do aniquilamento do outro, não do riso que deriva a crítica maldosa a face à suposta falta constitutiva do outro. Quintino Cunha nem ri nem faz ri a não ser do que, tornando-se risível, fortalece o pensamento, empresta brilho à vida, desloca certezas e permite a emergência de novos olhares, de novas palavras, de novas verdades sobre o vivido e o por viver.
O poeta viveu sete anos em Quixerambim. Mesmo possuindo já uma saúde debilitada, nunca deixou de ser o Quintino alegre e preparado para qualquer desatino o que acabou rendendo muitos casos entre os populares. Conta-se que numa tarde, encontrando-se na casa de João Belém (um dos muitos amigos de roda com quem conviveu), deu-se o seguinte diálogo:

- Burro é você, que diz que é materialista! – esbraveja Quintino.
- Digo, e é verdade! – retruca o outro.
- Verdade? - Rebate o poeta – Verdade é um substantivo abstrato. Logo, você não é materialista!

Outro dia estando no bilhar de Antonio Patrício, um comerciante que sempre contava com Quintino para alegrar o ambiente, travou-se a seguinte pendenga sob certa palavra, desta vez com Dr. Álvaro:
- Espere vou buscar um dos meus livros... – Exclama ao levantar-se o Dr. Álvaro.
Quintino eleva a voz e diz:
- Para mim, não adianta, Você é um “burro” cercado de livros e eu sou um livro cercado de “burros”.

O caso mais famoso e conhecido das anedotas de Quintino entre os populares de nossa cidade se pelo fato do poeta que se dizia cansado da paisagem da cotidiana da cidade viver a afirmar que Quixeramobim possuía três coisas grandes: o nome, a ponte e língua do povo.

Acontece, porém que Quintino foi acometido de uma insidiosa doença que o reteve no leito e o povo o cercava com o mais afetuoso carinho. Ozeas Martins, jornalista dos “Associados”, foi entrevista-lo e interrogou sobre as três coisas grandes de Quixeramobim.
O poeta desfez a primeira trinca com maestria:
- Quixeramobim tem três coisas grandes, o nome, a ponte e o coração do povo.

Por Bruno Paulino do Nascimento, graduando em Letras (UECE)

FONTE: IPHANAQ

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